Envelhecimento populacional traz desafios e oportunidades

O envelhecimento populacional é um traço de nossa época. Por um lado, as pessoas estão vivendo por mais tempo, com a queda em taxas de mortalidade nas várias faixas etárias desde o século passado. Expectativas de vida subiram na maior parte do planeta. Na outra ponta da dinâmica demográfica, taxas de fecundidade – número de filhos por mulher – também desabaram nas últimas décadas. A partir de certo ponto tal queda na fecundidade tende a levar a um eventual declínio na população. O “bônus demográfico” brasileiro teve início nos anos 70, quando se iniciou um período de aumento das proporções da população em idade ativa e da população ocupada na população total. A janela demográfica das últimas décadas foi subutilizada, a julgar pela evolução da produtividade dos trabalhadores e da economia como um todo no período.

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Abertura comercial deveria ser prioridade para o Brasil

Cadeias produtivas mais enxutas e integradas para fora teriam como contrapartida maior capacidade de exportar e de prover domesticamente produtos melhores e mais baratos, podendo sua expansão compensar a menor densidade doméstica. Cabe sempre lembrar que, para além de ganhos de produtividade, em última instância a parte de baixo da pirâmide de renda brasileira seria beneficiária da abertura comercial.

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Será forçada a aterrissagem das economias emergentes?

O ano começou com sinais simultâneos de desaceleração no crescimento econômico global e de reorientação nas políticas monetárias de economias avançadas. Será que isto levará emergentes e em desenvolvimento a uma aterrissagem forçada? A resposta dependerá de quão agressiva for a reorientação de política monetária nas economias avançadas.

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Otaviano Canuto: Dívida Pública Como Legado da Pandemia

Uma característica da economia global no “novo normal” pós-pandêmico terá sido o aumento mundial dos níveis de dívida pública e privada. Como resultado do papel do setor público como segurador em última instância contra catástrofes, as políticas para suavizar as curvas de infecção e a recessão pandêmica deixarão um legado de maior dívida do setor público em todo o mundo. O Brasil evidentemente não fugiu à regra. Por conta principalmente dos gastos públicos extraordinários e da queda do PIB em 2020, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do PIB terminou o ano no patamar de 88,8 por cento.

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Por que não temer a birra dos mercados dessa vez

A hipótese de superaquecimento da economia dos Estados Unidos este ano, reforçada pelos sinais de inflação mais alta, criou a percepção de que o Fed poderá se ver obrigado a reorientar sua política, antecipando seu taper e, eventualmente, subindo juros. Haveria alguma possibilidade de um taper tantrum 2.0, caso o Fed se veja obrigado a acelerar o curso por enquanto projetado para ocorrer, gradualmente, a partir dos próximos dois anos? Os riscos maiores para a economia brasileira estão alhures: todos gerados de dentro, não como os de um taper tantrum 2.0.

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Projeção de PIB melhor não tem ‘milagre’, afirma Canuto

Corrida contra a covid no país não tem sido vitoriosa e dita o ritmo de retomada, diz ex-diretor do FMI. "Tenho usado uma analogia médica desde 2012, 2013, não é que estou entrando na moda. Mas digo que o Brasil tem um problema estrutural, que é a combinação entre a anemia da produtividade e a obesidade do setor público. E as duas se alimentam. Temos que gastar menos em emendas, em remuneração do setor público e reduzir benefícios fiscais. A agenda de reconfiguração do gasto público tem que estar na ordem do dia. Do lado da produtividade, precisamos melhorar a qualidade do ensino e o ambiente de negócios através de reformas."

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Por que seria bom o Brasil entrar na OCDE

Frequentemente a importância da entrada na OCDE é vista como a obtenção de um “selo”, reduzindo prêmios de risco, atraindo investimentos externos e outros. Tal selo é apenas uma cereja no bolo, com os verdadeiros ganhos sendo auferidos a partir das instituições e políticas que tornam o país um membro pleno.

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Os dois lados dos fluxos de capital para o Brasil

Houve entrada significativa de recursos na conta financeira externa do Brasil em outubro e novembro para investimentos em ações e em títulos de renda fixa. A maior parte do ingresso recente veio de forma “passiva” e não incluiu um volume considerável por parte de investidores “ativos”. Para que a onda se desdobre em disponibilidade de recursos externos para financiar investimentos no país, serão relevantes os avanços e a confiança na agenda fiscal e regulatória domestica.

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Poderia o Banco Central fazer “afrouxamento quantitativo”?, analisa Otaviano Canuto

A percepção de riscos fiscais, ou seja, de não retorno a alguma trajetória não explosiva a partir do ano que vem é o que subjaz tanto a subida de juros longos quanto, em parte, a persistência da desvalorização cambial. O Tesouro pôde evitar ter que pagar juros mais altos na cobertura do extraordinário e justificável déficit público desse ano mediante endividamento de curto prazo. Mas em algum momento à frente as necessidades de rolagem vão impor um enfrentamento daquelas dúvidas, até porque o encurtamento da dívida também acentua a vulnerabilidade diante de surtos de desconfiança. Nesse contexto, fazer twist com a dívida pública, mesmo com a venda de títulos curtos enxugando a liquidez colocada via compra de dívida longa, poderia incorrer em outro risco. Se os juros longos estão refletindo prêmios de risco fiscal exigidos por detentores, reduzi­r juros na marra pode simplesmente levar tais detentores alhures, inclusive para fora, o que poderia levar ao círculo vicioso entre desvalorização cambial, inflação e taxas de juros.

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BID, Multilateralismo, Brasil e Argentina

- O futuro do multilateralismo, as perspectivas para o mundo com a eleição nos EUA e o papel do Brasil na arena internacional. - O grande desafio para o BID vai ser conseguir um aumento de capital porque o espaço de empréstimos que existia foi em grande medida usado este ano - O Brasil estará numa encruzilhada em 2021. Se pegar o caminho errado, "vai virar uma Argentina", alerta o economista Otaviano Canuto. - Pandemia leva Argentina à nova crise cambial; economistas analisam situação

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