Cadeias de Valor Rompidas Esquentam a Novela do Fed, Escreve Otaviano Canuto

Fechamento de fábricas na China no começo do ano passado, confinamentos em muitos países e, em seguida, congestionamentos em redes logísticas de transporte de bens, restrições de capacidade diante de súbitos aumentos de demanda e escassez de mão de obra vêm afetando negativamente a disponibilidade de insumos e produtos no mundo inteiro.. O fato é que o cenário inflacionário começou a mudar com a perspectiva de que as rupturas nas cadeias de valor levarão algum tempo até ser consertadas, tomando no mínimo até a primeira metade de 2022.

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Por que maiores déficits em conta corrente não são problemáticos na crise de Covid

Apesar do aumento dos saldos em conta corrente em termos absolutos em 2020 (em 0,4 ponto percentual do PIB global), os desequilíbrios globais excessivos —ou seja, a soma dos valores absolutos dos saldos considerados divergentes dos níveis correspondentes a fundamentos e políticas adequadas no médio prazo— se mantiveram em torno de 1,2% do PIB mundial, próximos aos anteriores.

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Cedulas, dinheiro, DOlar. Brasilia, 03-09-18. Foto: Sérgio Lima/Poder360

A novela do Fed, escreve Otaviano Canuto

Uma delicada transição está em curso na economia dos EUA. Tanto autoridades fiscais quanto monetárias já deram sinais claros de não contar com –e desejar– o retorno aos patamares de inflação prévios à pandemia, algo inclusive manifesto na mudança de 2% ao ano para média e não mais teto. Agora, que critérios adotar para considerar ser a hora de apertar para impedir que uma inflação acima de 2% contamine credibilidade e expectativas é algo ainda longe de clareza.

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Projeção de PIB melhor não tem ‘milagre’, afirma Canuto

Corrida contra a covid no país não tem sido vitoriosa e dita o ritmo de retomada, diz ex-diretor do FMI. "Tenho usado uma analogia médica desde 2012, 2013, não é que estou entrando na moda. Mas digo que o Brasil tem um problema estrutural, que é a combinação entre a anemia da produtividade e a obesidade do setor público. E as duas se alimentam. Temos que gastar menos em emendas, em remuneração do setor público e reduzir benefícios fiscais. A agenda de reconfiguração do gasto público tem que estar na ordem do dia. Do lado da produtividade, precisamos melhorar a qualidade do ensino e o ambiente de negócios através de reformas."

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A mãe de todas as recuperações nos Estados Unidos, por Otaviano Canuto

Há quem já esteja esperando que o nível dos juros de 10 anos se mova a 2% ao ano. Isso não será suficiente para deter o entusiasmo de Biden com a verdadeira reorientação radical na política econômica e social a que já se propôs a começar em seus 100 primeiros dias.

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A possível queda de braço entre o Fed e os mercados

Parece permanecer uma dupla divergência entre o mercado e o Fed. As projeções de inflação embutidas nos preços dos títulos permanecem acima daquelas apresentadas pelo Fed. Além disso, parece haver dissonância entre o modo de ação anunciado pelo Fed e o que os mercados preveem como “função de reação” pelo Fed. A atual passividade do Fed em relação aos juros longos pode sempre dar lugar a uma revisão de tal posição, a título de estabilização caso a volatilidade se acentue na parte longa da curva de juros.

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O tamanho do pacote fiscal de Biden, por Otaviano Canuto

Segundo a Secretária do Tesouro, Janet Yellen, seria melhor correr o risco de excesso do que de insuficiência. Além disso, o novo regime de política monetária do Federal Reserve põe os 2% de meta de inflação como uma média, não como um teto forçando reações de política monetária para evitá-lo de antemão. Depois de longo período de inflação abaixo dos 2% mesmo em anos com baixo desemprego e juros no piso, as autoridades monetárias poderão se dar ao luxo de esperar algum tempo com inflação acima da média até ser compelidas a apertar os botões.

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Por que os juros nas economias avançadas continuarão baixos

A ação de bancos centrais das economias avançadas tem sido mais reativa que proativa, mais reflexo do que causa, e na ausência dela o desempenho macroeconômico teria sido ainda mais medíocre do que o verificado. O fato é que as taxas de juros reais –de curto e longo prazos– vêm declinando há décadas, ao longo das quais bancos centrais tiveram de responder a vários choques. Como não houve aceleração inflacionária, pode-se presumir que as taxas “naturais” de juros –aquelas nas quais fluxos de poupança e investimentos estão próximos o suficiente para evitar que excessos de demanda ou de oferta provoquem inflação ou recessão– vêm caindo.

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Trump versus Biden e Brasil – Podcast AMERICA DECIDE e Webinar GENIAL INVESTIMENTOS

O Brasil cede às pressões do presidente Donald Trump e renova a cota de importação do etanol americano com tarifa zero, sem uma contrapartida clara por parte dos Estados Unidos. Enquanto isso, avançam negociações de um acordo comercial amplo entre os dois países. De sua parte, o candidato democrata, Joe Biden, fala em atrair de volta as indústrias americanas com incentivos fiscais e elevações de tributos para as que produzem no exterior. Pela primeira vez, o Banco Interamericano de Desenvolvimento é presidido por um americano, Mauricio Claver-Carone, que fala em deslocar as cadeias de valor do eixo Leste-Oeste para o Norte-Sul, envolvendo o Brasil. Para analisar essas questões, Lourival Sant'Anna, analista de internacional da CNN, conversa com Renata Amaral, especialista em comércio, diretora da American University, de Washington, e co-fundadora da organização Women Inside Trade; e com Otaviano Canuto, membro sênior do Policy Center for the New South e ex-vice-presidente do Banco Mundial, também em Washington. --------------------------------------- Trump ou Biden? O governo brasileiro faz campanha aberta pela reeleição do presidente americano Donald Trump. Mas e se o pleito colocar de volta à Casa Branca um democrata? Como Joe Biden vai tratar o Brasil? Com certeza, teríamos mais pressão por temas sociais e de direitos humanos, mas, na economia, o pragmatismo pode vencer. Vamos falar sobre o assunto com o ex-vice-presidente do Banco Mundial e membro sênior do Policy Center for the New South, Otaviano Canuto; com o economista-chefe para os Estados Unidos da SPX Capital, Rafael Magri; e com o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo.

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Alinhamento com Trump não dá ganhos, e tem custos

Do ponto de observação alcançado pelos vários cargos que já exerceu – que inclui de secretaria no Ministério da Fazenda do governo Lula a diretor do FMI e vice-presidente do Banco Mundial – o sergipano Otaviano Canuto vê com preocupação, mas parcimônia, os efeitos da pandemia de Covid-19. Avalia que a recuperação da economia mundial não será completa – desenhando um formato de raiz quadrada –, e que deixará alguns desafios importantes a descoberto, como a falta de universalização do acesso à saúde na maior economia mundial, fortemente afetada pelo novo coronavírus. De sua casa em Washington, de onde conversou pela internet com a Conjuntura Econômica, Canuto revelou sua preocupação com o futuro da política externa brasileira sob o contexto de alinhamento com o governo Trump, e com a capacidade do país de reverter a deterioração de sua imagem quanto ao trato com a Amazônia, no momento em que o mercado financeiro mundial passa a valorizar diretrizes ambientais em sua tomada de decisão. “Tínhamos tudo para ter os bônus de mostrar ao mundo nossa contribuição para o problema da mudança climática”, afirma.

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América Decide: A crise econômica e o calendário político

O presidente Donald Trump luta contra o tempo -- e contra os números -- na tentativa de melhorar o cenário econômico antes das eleições de novembro. Nesta edição do América Decide, Lourival Sant'Anna analisa os resultados das estratégias econômicas e políticas do presidente americano com Otaviano Canuto, membro sênior do Policy Center for the New South e ex-vice-presidente do Banco Mundial, e Thiago Aragão, da consultoria Arko Advice, e pesquisador sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), ambos em Washington.

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Tarifas de Trump diminuíram o emprego manufatureiro dos EUA, analisa Otaviano

O aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos contra seus principais parceiros comerciais a partir do início de 2018 não teve precedentes comparáveis na história recente. Presidente Trump aludiu a, entre outros, o  objetivo de revitalizar empregos na indústria manufatureira do país mediante sua proteção perante práticas comerciais desleais de outros países, particularmente a China. Só que, de acordo com estudo do FED (Federal Reserve Bank), o banco central dos EUA, divulgado em 23 de dezembro passado, o efeito até aqui foi justamente o oposto, ou seja, redução no emprego manufatureiro!

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EUA: crise na saúde. Americanos com inveja do SUS

Todo mundo reclama do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. Está certo que não é o melhor dos mundos, mas nos Estados Unidos, onde não existe saúde pública, tem gente sentindo inveja dos brasileiros. Lá todo sistema de saúde é particular. Direto de Washington, Otaviano Canuto aponta dois grandes problemas na política de saúde dos norte-americanos: alto custo com resultados abaixo dos países comparaveis e falta de universalidade.

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