Motivos benignos ou malignos para a subida de juros longos nos EUA?
Qual a capacidade de efeitos da IA sobre produtividade e crescimento para compensar a carência de receitas com tarifas e a nova lei orçamentária?
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Caráter errático e incerto da política econômica de Trump tendem a disparar novos movimentos tectônicos entre sistemas monetários na economia global. Articulista afirma que o renminbi não se constitui, nesse momento, em uma alternativa plena como moeda de reserva, mas o euro pode vir a ser se tomar medidas, como tornar o mercado de capitais da Zona do Euro menos fragmentado e ineficiente
O uso crescente de moedas locais em pagamentos externos, nos BRICS ou fora deles, será parte do que já chamamos de “desdolarização devagar e limitada”. Como parcela das reservas globais, o dólar americano caiu de um pouco acima de 70% em 2000 para um pouco abaixo de 60% em 2022. Contudo, enquanto uma moeda local não for plenamente conversível, permanecendo sujeita a regulações restringindo a liquidez e a disponibilidade de ativos - como permanece sendo o renminbi - não cumprirá a função de reserva externa de valor para o grosso dos agentes na economia global.
Pares de países têm acordado liquidar transações comerciais e financeiras entre si em suas moedas locais, em geral mediante acordos bilaterais entre seus bancos centrais. A China tem sido capaz de usar sua moeda para liquidar metade de suas transações externas de comércio e investimento. O uso crescente de moedas locais em pagamentos externos será parte do que já chamamos aqui de “desdolarização devagar e limitada”. A “fragmentação” parcial do sistema global de pagamentos está em curso.
Tem havido uma redução no grau de "dominância" do dólar, com uma queda se sua parcela nas reservas dos bancos centrais desde a virada do século, de 71% em 1999 para 58,4% ao final de 2022. Contudo, fatores gravitacionais favorecem a continuidade da posição central do dólar em mercados financeiros internacionais, nas faturas e pagamentos comerciais, assim como em reservas cambiais públicas e privadas
O dólar norte-americano subiu dramaticamente no passado recente. Um fator maior subjacente à valorização do dólar está no maior rendimento em termos reais dos ativos norte-americanos em relação a outros. A forte valorização do dólar americano em relação às demais moedas, no passado recente, reforçou pressões contracionistas presentes na economia global. A valorização do dólar também traz um efeito compressivo sobre economias que tenham exposição elevada a passivos denominados naquela moeda. Portanto, o "giro" ou "pivô" do dólar só ocorrerá quando ocorrer um "giro" ou "pivô" na política monetária dos EUA.
Afrouxamento de condições financeiras e expansão sustentada do crédito global favorecem o crescimento no lado real de economias emergentes, com a presença do dólar como fator influente nessa transmissão. Segundo estimativas dos autores, um choque de 1% de valorização do dólar contra uma cesta ampla de outras moedas reduz em 0,3 ponto percentual o crescimento econômico de um grupo de 21 emergentes por eles considerados. Presume-se um impacto no sentido inverso no caso de desvalorização do dólar.